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quinta-feira, 1 de agosto de 2024

ALGUMAS TEOLOGIAS QUE SE DIZEM TEORIAS CIENTÍFICAS.

Acabo de assistir um vídeo na qual se faz um resumo interessante entre duas teorias antagônicas relativas ao universo físico, apresenta-se uma explicação da teoria das cordas, na qual finalmente entendi o papo sobre a "vibração" como elemento de manifestação das "cordas" que sustentariam as manifestações das partículas fundamentais, e que nesta teoria estaria inserido a teoria do big bang, ou teoria da inflação cósmica.

Em seguida tem a explicação sobre uma teoria proposta pelo professor Penrose, na qual é afirmado que a teoria das cordas é uma mera fantasia teórica, e que segundo a teoria de Penrose o universo possui ciclos denominados de éons, e que não existe esse negócio de cordas vibratórias.

Particularmente, como sou muito católico em minha perspectiva cosmológica, e creio na Criação, e que tudo que existe é a manifestação da inteligência de Deus, que a tudo conferiu uma ordem e uma finalidade intríseca, julgo que ambas as teorias são furadas, pois a física desde o tempo de Galileu tem cumprido um papel mais teológico que científico quando se propõe a explicar o universo numa perspectiva materialista.

Ou seja, deixo registrada minha discordância relativa às duas teorias, pois ambas são fantasias hipotéticas sobre uma suposta "ordem cósmica eterna e sem autor", o que não faz sentido, a não ser que adotemos uma visão teológica imanentista típica das religiões cósmicas pagâs, ou seja, uma abordagem panteísta, em que consideríamos que o universo é um "deus" que emerge da sua própria manifestação material, um "ser" despersonalizado e indiferente, manifestado numa ordem de eterno retorno, na qual devemos depositar uma fé sem esperança na vida eterna, é uma teologia que nos desempara de sentido, que fundamenta a visão de que somos um grão de poeira cósmica cuja existência é um fato aleatório dentro de um abismo sem fim.

Já que é para depositar fé em algo, então uso meu livre arbítrio no sentido de crer no Deus Vivo, que é a Verdade, o Caminho e a Vida,  o Cristo, o Jesus, o Mistério da Fé, o resto é material para boa literatura de ficção (fantasia) científica.


Para finalzar, estas teorias que julgo ambas fantasias teológicas da religião da ciência materialista, são meras contrafações da teoria aristotélica na qual ele defende um Universo eterno sem começo e sem fim, o que determina a presença de um mistério, que é o mistério da Criação, que resta subentendido neste tipo de explicação.


domingo, 24 de julho de 2022

EVOLUCIONISMO CEGO, SELECIONISMO NATURALISTA ALEATÓRIO E CRIACIONISMO INTELIGENTE



Não existe evolução ou seleção natural "criadoras", quando muito são causas segundas subordinadas à causa primeira, numa linguagem aristotélica, talvez possamos afirmar que estas são causas de "destruição" seletiva ou evolutiva num sentido bruto da palavra.

Da mesma forma que criadores de animais selecionam e evoluem linhagens com certas características passíveis de manipulação por meio de cruzamentos genéticos ou mesmo de manipulação de DNA, mas não são sistemas criadores no sentido existencial desde o nada.

Por falar em causa primeira e causa segunda, também temos a matéria primeira e a matéria segunda, afirmamos que Deus é a causa primeira que gera a matéria primeira, que numa linguagem platônica é o mundo das idéias primeiras, modelos arquetípicos que são projetados na mente divina, que servem de modelo para replicação na própria conformação de cada aspecto da realidade física e/ou concreta.

Neste ponto me socorro de Wolfgang Smith (01) que constatou que os fenômenos analisados pelos experimentos da física quântica ao serem objeto de interpretação com base na metafísica clássica permite a definição do conceito de causalidade vertical.

O que é testemunhado nos experimento da física quântica, quando é constatado o decaimento de estado, quando o objeto físico sai da condição de indeterminação onda/partícula e adquire uma forma detectável de forma definida, então estamos observando a manifestação de uma matéria segunda informe sendo submetida a uma causalidade vertical, na qual a forma eterna oriunda da mente de Deus incorpora-se como realidade física e manifesta-se como um ato que é continuidade da Criação.

Em suma, se adotamos uma metafísica de base aristotélica é bem mais fácil de se compreender a intuição de diversos cientistas da física no sentido de que a realidade permanece em constante criação (02).


Notas:


(01) https://en.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Smith


(02) “Criação não terminou, o mundo acontece de uma forma nova a cada momento” (DÜRR, Hans-Peter. Da ciência à ética: a física moderna e a responsabilidade do cientista; tradução de Lumir Nahodil. – 1.ed. Lisboa: Instituto Piaget, 1999, p. 47).


sábado, 12 de outubro de 2019

A LUZ É A PRÓPRIA CORPOREIDADE

NOTA INTRODUTÓRIA

Roberto Grossateste (c. 1168? - 1253) entre 1215 e 1220 produziu a obra "A luz, o tempo e o movimento", da qual abaixo reproduzo um único parágrafo que diz respeito à concepção de que a luz é a fonte da corporeidade, a origem de todas as formas corporais. Para facilitar a leitura separei o texto em diversos parágrafos para facilitar o foco da leitura:


Roberto Grossateste, Bispo de Lincoln



"A primeira forma corporal, chamada por alguns de corporeidade, penso que é a luz. Pois a luz, per se, difunde-se a si mesma por toda a parte, de tal maneira que de um ponto de luz se pode gerar instantaneamente uma esfera de luz de qualquer magnitude, contando que algo opaco não se interponha como obstáculo.

Da corporeidade é que sucede necessariamente a extensão da matéria em três dimensões, apesar de serem, a corporeidade e a matéria, substâncias simples in se, sem qualquer dimensão.

Na verdade, uma forma simples in re e sem dimensão não poderia produzir, por toda a parte, dimensão na matéria, a qual é igualmente simples e sem dimensão, exceto multiplicando-se a si mesma, difundindo-se instantaneamente por toda parte, e estendendo a matéria nessa difusão de si mesma, uma vez que a forma não pode abandonar a matéria, pois não é separável, nem pode a matéria ser esvaziada de forma.


Robeto Grossateste, como retratado no século XIII



Eu disse antes, porém, que a luz é que possui, per se, essa operação de multiplicar-se a si mesma e de difundir-se instantaneamente por toda a parte. 

Portanto, o que faz isso ou é a luz, ou é algo que o faz como participante da luz, a qual o faz per se.

Logo, a corporeidade ou é a luz mesma ou é aquilo que faz a referida operação e introduz dimensões na matéria enquanto participa da luz e age por virtude da luz.

É impossível, porém, que a primeira forma introduza dimensões na matéria por virtude de uma forma subsequente a ela mesma.


Estudo de difração da luz por uma lente esférica, 1250



Logo, a luz não é uma forma subsequente à corporeidade, mas é a própria corporeidade."





Fonte: 


Grossateste, Roberto, 1168?-1253. A luz, o tempo e o movimento / tradução de Renato Romano, apresentação de Raphael De Paola - Porto Alegre, RS: Concreta, 2016, p. 85.

domingo, 1 de julho de 2018

O processo criativo no devir



Na teoria quântica existe o conceito de "colapso do vetor de estado", que é aquele momento em que o aspecto indeterminado da partícula quântica (quantum) consolida-se em um estado determinado, que faz surgir o evento definidor da forma de manifestação do objeto físico.

Wolfgang Smith define que esse é o momento em que a matéria informe do objeto físico sofre a ligação, dentro de uma relação de causalidade vertical com a sua forma substancial determinante e eterna, no sentido aristotélico-platônico, quando então se torna uma criatura composta de matéria e forma.

O momento de "colapso do vetor de estado", portanto, é uma prova científica de um ato de criação, ou seja, a criação é um processo permanente, é um processo de permanente concretização do devir.
Sem o devir, sem a liberdade, sem a livre escolha entre diversos modos potenciais, não haveria nem a virtude e nem o pecado, nem acertos e nem erros, seríamos como  aquelas máquinas tão celebradas e desejadas pelo modelo proposto na física newtoniana, e pela filosofia moderna em geral, ambas marcadamente determinísticas.

Não fosse o permanente processo de transição entre potência e ato, que criam possibilidades oriundas de jogo de probabilidades inerentes à realidade, seríamos meros agentes aplicadores de éticas teóricas, que não se comunicam com razões práticas, e, seríamos pessoas feitas de carne e osso, que nem acreditam na realidade objetiva do mundo, nem na concretude de seus ossos.
A realidade do devir, se for considerada dentro da realidade do Absoluto que é Deus, necessariamente, já está contida em todas as suas possibilidades em  potência.
Todavia, o devir é um processo de realização temporal, que se opera mediante um afunilamento das possibilidades e potencialidades, em formas concretas definitivas, em que o devir se torna um presente, que instaura fatos históricos únicos e definitivos, cuja graduação dependerá de um infinito número de fatores.
Neste sentido, o devir é algo que sempre foi discutido na filosofia, e esta já possuía a base dos conceitos do indeterminismo quântico ao discutir sobre o livre-arbítrio.

A criação está em permanente processo, uma vez que é permanente e contínua criação, no âmbito da criação já criada, pois a criação é dinâmica e co-participativa, em um certo sentido, quando se considera sua realização temporal mediante a experiência de cada vida individual.

domingo, 3 de junho de 2018

O MÉTODO CIENTÍFICO É COMO UMA REDE DE PESCA!

Hans-Peter Dürr (7/10/1929-18/05/2014) relata que a mecânica clássica não mais serve para explicar inúmeros fenômenos físicos, como os elétrons e o magnetismo.


A formulação da mecânica quântica revelou aos cientistas “para sua surpresa que os seus conhecimentos de, e o seu saber sobre, a realidade por eles imaginada em abstracto têm muito a ver com os métodos com os quais investigam a natureza” (DÜRR, p. 40).


Para esclarecer a afirmação supramencionada, lanço mão de uma versão resumida da parábola de Sir Arthur Eddington, citada por Dürr, ao descrever uma rede feita para pescar peixes de 05 centímetros ou mais.

Evidentemente, referida rede, somente pode pegar peixes dentro de seu limite de mensuração.


O cientista considera-se livre de recorrer ao que considera como vagas especulações, pois contenta-se com o que consegue apanhar com base nos limites possíveis de mensuração eleito por seu método de pesquisa.


Um metafísico, que aceite a objetividade do mundo, considerará tal método inadequado para abarcar toda a realidade dos peixes, pois o universo de peixes é muito mais amplo que os limites subjetivos da rede.

O epistemólogo, dá razão ao metafísico, sobre o caráter subjetivo e parcial da afirmação do cientista, acerca do tamanho mínimo dos peixes possíveis de captura, mas, afirma que não se deve perder tempo medindo todos os peixes, para determinar o tamanho mínimo desta categoria de ser, basta medir a própria rede, aquilo que não for observável e mensurável não será objeto de análise científica:


"Este modo epistemológico de encarar o problema confere validade absoluta à lei. Isto corresponde ao enunciado de Kant, segundo o qual as descobertas gerais fundamentais da Física dão bons resultados na experiência porque estabelecem condições necessárias para a experiência" (DÜRR, p. 42)


A rede simboliza o estreitamento da realidade, e a alteração qualitativa operada pelo nosso pensamento, e relaciona-se à possibilidade de se conhecer cada vez melhor a “estrutura” e não o conteúdo da realidade, o que implica no risco de “descurar das coisas” (DÜRR, p. 44).


Referência: 

DÜRR, Hans-Peter. Da ciência à ética: a física moderna e a responsabilidade do cientista; tradução de Lumir Nahodil. – 1.ed. Lisboa: Instituto Piaget, 1999.


(Trecho do artigo "Kant, ciência moderna e liberdade humana" disponível em: 


https://wernerncoelho.blogspot.com/2016/04/kant-ciencia-moderna-e-liberdade-humana.html )


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS: TEMPO E ESPAÇO SÃO SUCESSIVIDADE E SIMULTANEIDADE (CAP. 06 - D)

Observações preliminares.


O Filósofo Mário Ferreira dos Santos sempre advertia no início de suas obras a respeito da importância do vocabulário, e, principalmente, de seu elemento etimológico, e, já nos idos dos anos 1960 ele alertava que utilizaria certas consoantes mudas, já em desuso na gramática da língua portuguesa oficialmente em vigor, mas muito importantes para “apontar étimos que facilitem a melhor compreensão da formação histórica do têrmo empregado”, e, em razão desta técnica de exposição, escolhi transcrever o texto em seu formato gramatical original (com exceção das tremas). Também incluí destaques e sublinhas em trechos fundamentais do texto.

***





É fundamental da filosofia pitagórico-platônica a presença do allós, do outro, como o khosmos, que é outro que o Ser Supremo. O khosmos implica heterogeneidade, implica o héteros, o outro, distinto, e o modo de ser especìficamente êste ou aquêle é o modo de ser que é outro que outro. A afirmação do Ser Supremo implica o allós, porque é, unìvocamente, êle mesmo, e em plenitude ontológica êle mesmo, e também o poder de realizar tudo quanto pode ser, o que pode vir-a-ser, os possíveis, que são outros que outros. A afirmação do Ipsum Esse, o ser si mesmo, exige o ser outro, o conjunto das coisas outras, allós.


O que é outro que outro, só pode ser tal, simultânea ou sucessivamente pois a disjunção é perfeita, como vimos, o fundamento é, pois, ontológico e não psicológico apenas, como o queria Kant. Dêste modo, o que fundamenta o espaço é a simultaneidade, como o que fundamenta o tempo é a sucessividade. Estas, ontològicamente, antecedem aquêle, e o existir outro, que é o existir heterogêneo, das coisas que não são em plenitude ontológica, implica a presença da simultaneidade e da sucessividade. E a sensibilidade do ser psicològicamente organizado não poderia ser distinta, pois não haveria sensação sem o outro que outro, porque sentir é afirmar, de certo modo, outro que outro, e essa afirmação implica a copresença da simultaneidade e da sucessão, em graus maiores ou menores.


A sensibilidade para Kant


Dêste modo, o tempo e o espaço, que para Kant são formas puras da sensibilidade, são, realmente, esquemas posteriores, que se fundamentam na simultaneidade e na sucessão, que são primordiais, não só da sensação, como do próprio existir e do ser, o que lhes dá uma razão ontológica (1). E é esta razão ontológica que empresta validez e segurança à experiência no sentido kantiano, a qual termina por desvanecer-se quanto ao seu valor, como vimos na análise que fizemos da obra daquele autor em “Filosofia Concreta” e, sobretudo, em “As três Críticas de Kant”.


A justificação da continuidade da extensão, considerada não só matemática, como fisicamente, fundamenta-se na não coincidência das partes, que se dão umas extra às outras. As coisas quantitativas são compostas de partes extra partes, mas, por serem estas tomadas extensivamente, são divisíveis em partes, pois onde há extensão há distância. Esta, enquanto tal, é homogeneamente ela mesma em sua especificidade, e, considerada matemàticamente é, portanto, divisível em partes extensas in infinitum. Todo modo de ser quantitativo é, pois, enquanto tal, divisível in infinitum, quando considerado em sua extensidade.




A extensão pode ser considerada como actual ou como virtual. É actual aquela que tem de fato partes extra partes, as quais não coincidem todas no mesmo ponto. Essa extensão pode ainda ser local e não-local. É local, quando comensurada com o lugar, como o são os corpos. É não-local, quando incomensurável com o lugar, quando é toda no todo e toda em cada uma das suas partes singulares, cuja realidade é matéria controversa. Contudo, no caso dos anti-prótons, que revelam, ao anular os prótons, que o resultado não tem extensidade apta a ser captada pelos sentidos, ampliados por instrumentos, não se pode admitir que esse resultado seja uma aniquilação total do ser, o que é ontologicamente impossível e, portanto, absurdo, como o provamos em “Filosofia Concreta”. O que resulta, a chamada anti-matéria na física moderna é anulação da extensão atual ou potencial, mas, se for a primeira, será não-local.




Energia Escura


Chamam, ainda, de extensão aptitudinal o accidente que tem partes integrantes (que são as que não constituem a essência de uma coisa, pois estas são as partes essenciais). As partes essenciais são aquelas que, faltando apenas uma, a coisa deixa de ser o que é. Constituem elas a essência do todo. Assim a animalidade e a racionalidade são partes essenciais do homem, pois faltando uma ou outra, o homem deixa de ser tal. A parte integrante, ao inverso, não constitui a essência do todo, e a ausência de uma não implica a perda da especificidade, como a falta de um braço não leva ao desaparecimento do homem. Estas partes integrantes são chamadas de homogêneas ou heterogêneas. As homogêneas são entre si semelhantes especificamente, e até acidentalmente, como as partes de um pedaço de ferro, enquanto ferro. São heterogêneas aquelas que diferem entre si accidentalmente, como o são as partes de um ser vivo.


Pergunta-se, na Cosmologia, e é um dos seus grandes problemas, qual o efeito formal da quantidade: é dar extensão entitativa à substância, ou dar extensão actual local ou não local, ou dar uma extensão aptitudinal, ou a exigência da extensão?


É mister, em primeiro lugar, saber o que se entende por efeito formal. É o que resulta da comunicação da forma com o seu sujeito. Assim o efeito formal da côr é o colorido, do calor o ser quente. Classifica-se, ainda, o efeito formal em primário e secundário. É primário o que não pode deixar de dar-se sem contradição, desde que a forma seja dada. Se se dá o calor, tem de se dar o quente; se há cogitação no intelecto, êste está em ato. Secundário é o que, exigida a forma, se faltar, não implica contradição.


(1) O existir ou o ser implicam o que existe ou é, simultânea ou sucessivamente, ou ambos, já que a disjunção é perfeita e a não aceitação seria a negação do sujeito, pois se não é nem simultânea, nem sucessivamente, nem ambos, não é, nem existe.


Referência:


Mário Ferreira dos Santos, Erros na Filosofia da Natureza, Coleção Uma Nova Consciência, Editora Matese, São Paulo, 1967, p.36-39


GLOSSÁRIO CONCEITUAL (Gerado por I.A.)

Acidente — Determinação que pertence a uma coisa sem constituir sua essência. No texto, aparece especialmente relacionado à extensão aptitudinal e às partes integrantes.

Allós — Termo grego empregado para designar “o outro”. Na exposição do autor, expressa a alteridade ontológica, isto é, aquilo que é distinto de outro ser e, especialmente, aquilo que é outro em relação ao Ser Supremo.

Alteridade — Condição de ser outro ou distinto. Constitui um dos fundamentos da multiplicidade e da heterogeneidade do cosmos.

Antimatéria — No contexto apresentado pelo autor, realidade física relacionada às antipartículas e utilizada para discutir a possibilidade de anulação da extensão material sem que isso represente uma aniquilação absoluta do ser.

Antipróton — Antipartícula correspondente ao próton. O texto utiliza a interação entre prótons e antiprótons como elemento de reflexão acerca da extensão e da impossibilidade ontológica da aniquilação absoluta.

Animalidade — Característica essencial atribuída ao ser humano enquanto animal. No exemplo do autor, juntamente com a racionalidade, constitui uma das partes essenciais da definição do homem.

Comensurável — Aquilo que pode ser relacionado ou medido segundo uma mesma medida. No texto, a extensão local é considerada comensurável com o lugar.

Cosmologia — Campo filosófico dedicado ao estudo da estrutura, constituição e princípios do cosmos. No trecho analisado, investiga-se especialmente o efeito formal da quantidade sobre a substância.

Cosmos (kósmos) — Conjunto ordenado das coisas existentes. Na filosofia apresentada, o cosmos constitui realidade distinta do Ser Supremo e caracteriza-se pela multiplicidade e heterogeneidade.

Copresença — Presença conjunta de dois elementos ou condições. O texto utiliza o termo para caracterizar a presença simultânea da simultaneidade e da sucessividade no ato sensível.

Disjunção perfeita — Separação lógica considerada exaustiva entre alternativas. No texto, aquilo que existe deve apresentar-se simultaneamente, sucessivamente ou segundo ambas as modalidades.

Distância — Separação entre partes extensas. Para o autor, onde existe extensão há distância, e onde há distância torna-se possível a divisão em partes.

Efeito formal — Resultado da comunicação de uma forma ao seu sujeito. O exemplo dado é o colorido como efeito formal da cor e o ser quente como efeito formal do calor.

Efeito formal primário — Efeito que necessariamente decorre da presença da forma, de modo que sua ausência implicaria contradição. Se há calor, por exemplo, deve haver algo quente.

Efeito formal secundário — Efeito que pode deixar de ocorrer sem que sua ausência implique contradição, mesmo estando presente a forma da qual se relaciona.

Essência — Conjunto das determinações fundamentais pelas quais uma coisa é aquilo que é. A perda de uma parte essencial faz com que o ente deixe de possuir determinada identidade específica.

Extensão — Característica do ser quantitativo segundo a qual suas partes se encontram umas fora das outras, não coincidindo integralmente no mesmo ponto.

Extensão atual — Extensão na qual existem efetivamente partes extra partes, isto é, partes que não coincidem todas no mesmo ponto.

Extensão aptitudinal — Modalidade de extensão atribuída pelo texto ao acidente que possui partes integrantes. Relaciona-se à aptidão de determinada realidade para apresentar estrutura quantitativa ou extensiva.

Extensão entitativa — Expressão utilizada para indicar uma extensão ligada ao próprio ente ou substância, apresentada como uma das alternativas no problema cosmológico acerca do efeito formal da quantidade.

Extensão local — Extensão comensurável com o lugar, como ocorre, segundo o texto, com os corpos físicos.

Extensão não local — Extensão que não é comensurável com o lugar. O autor descreve-a como estando “toda no todo e toda em cada uma das suas partes singulares”, ressalvando que sua realidade é controversa.

Extensão virtual — Modalidade contraposta à extensão atual. O documento menciona a distinção, embora o trecho reproduzido não desenvolva integralmente sua definição.

Extensidade — Condição ou propriedade pela qual algo possui extensão. O termo é empregado para indicar o caráter extenso do ser quantitativo.

Héteros — Termo grego relacionado ao “outro”, ao distinto e ao diferente. No texto, exprime a heterogeneidade constitutiva do cosmos.

Heterogêneo — Aquilo cujas partes ou elementos diferem entre si. Em relação às partes integrantes, o autor exemplifica a heterogeneidade pelas diferentes partes de um ser vivo.

Homogêneo — Aquilo cujas partes possuem semelhança específica entre si. O exemplo utilizado é o de diferentes partes de um pedaço de ferro consideradas enquanto ferro.

In infinitum — Expressão latina que significa “ao infinito” ou “indefinidamente”. No texto, refere-se à divisibilidade matemática das realidades extensas.

Ipsum Esse — Expressão latina que pode ser compreendida como “o próprio Ser” ou “o ser por si mesmo”. No texto, refere-se à plenitude ontológica do Ser Supremo, em contraposição aos demais seres.

Não localidade — Condição daquilo que não é comensurável com um lugar determinado. O autor utiliza esse conceito em sua reflexão sobre extensão e sobre os resultados da interação entre matéria e antimatéria.

Ontologia — Investigação filosófica do ser enquanto ser. No texto, vários problemas são tratados como ontológicos, em oposição a explicações exclusivamente psicológicas ou subjetivas.

Parte essencial — Elemento constitutivo da essência de uma coisa. Se uma parte essencial faltar, o ente deixa de ser aquilo que é.

Parte integrante — Parte que pertence ao todo sem constituir necessariamente sua essência. Sua ausência não implica, por si só, perda da identidade específica do ente.

Partes extra partes — Expressão que designa partes espacialmente distintas, situadas umas fora das outras e que não coincidem integralmente no mesmo ponto. É uma característica fundamental da extensão quantitativa no texto.

Plenitude ontológica — Condição do ser que possui plenamente sua realidade. No texto, é atribuída ao Ser Supremo, em contraste com os entes que não possuem essa plenitude.

Possível — Aquilo que pode vir a ser. Os possíveis são apresentados como “outros” em relação ao Ser Supremo e entre si.

Quantidade — Determinação associada à extensão, divisibilidade e composição em partes. O texto coloca como problema cosmológico a definição de seu efeito formal sobre a substância.

Racionalidade — Capacidade racional apresentada como parte essencial da definição do homem, ao lado da animalidade.

Razão ontológica — Fundamento situado no próprio ser e não apenas na estrutura psicológica ou cognitiva do sujeito. É dessa maneira que o autor interpreta a simultaneidade e a sucessividade.

Sensação — Ato sensível que, segundo o autor, pressupõe a existência de algo distinto daquele que sente. Sentir implica, assim, a afirmação de um “outro”.

Sensibilidade — Faculdade pela qual um ser psicologicamente organizado recebe ou experimenta sensações. Na discussão com Kant, o autor sustenta que sua estrutura depende ontologicamente da simultaneidade e da sucessão.

Ser Supremo — Ser apresentado como ontologicamente pleno e unívocamente idêntico a si mesmo. Sua afirmação implica, segundo o texto, a possibilidade do “outro”, isto é, dos seres distintos.

Simultaneidade — Condição segundo a qual realidades existem ou se apresentam conjuntamente. Constitui, para o autor, o fundamento ontológico do espaço.

Substância — Aquilo que subsiste como sujeito das determinações ou formas. Aparece no texto especialmente na discussão sobre qual seria o efeito formal da quantidade.

Sucessão / sucessividade — Condição segundo a qual realidades se apresentam umas após as outras. O autor a considera fundamento ontológico do tempo.

Tempo — Para Kant, forma pura da sensibilidade; para Mário Ferreira dos Santos, no trecho analisado, esquema posterior que se fundamenta ontologicamente na sucessividade.

Vir a ser — Processo pelo qual aquilo que é possível passa a adquirir determinada realidade ou atualização.