Mostrando postagens com marcador Ontologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ontologia. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de novembro de 2019

O QUE É A REALIDADE?!

Resultado de imagem para baia do guajará
Belém vista da Baia do Guajará


Alerto que não questiono por que a realidade existe, ou se há alguma finalidade na mesma.

A questão é se a realidade é o que testemunhamos com nossos sentidos, ou aquilo que idealizamos em nossa imaginação, e, mais profundamente ainda, qual a relação entre realidade e imaginação.

Pois bem, julgo que devemos ter fé na verdade percebida diante de nossos olhos, ouvidos, nariz, boca e mãos uma vez que não é a abstração da mente humana que nos fornece o pão que nos alimenta, ou nos atropela por uma pequena falta de atenção ao atravessarmos uma rua.

Atualmente vivenciamos uma disseminada incapacidade de ter senso comum, uma falta de compressão das proporções e das possibilidades de ação pessoal ou social, quando considerados os limites da ação humana.

Tal incapacidade de discernimento é algo que nosso sistema de ensino, tanto teórico quanto de formação profissionalizante, proporciona em todos os níveis, e, em especial no nível superior ao estabelecer currículos cheios de ideologia marxista, envenenam até à morte a inteligência da juventude, substituindo-se o amor pela sabedoria, no sentido de busca da verdade, por aquela insaciável vontade e desejo de impor opiniões mil vezes refutadas pela reiterada neurótica prática de repetir os mesmos erros ao longo da história.

A incapacidade de aprender com os erros próprios ou alheios, e de não conseguir perceber a experiência histórica registrada nos livros, é algo custosamente criado no Brasil, vide o orçamento destinado à educação.

Afinal o que é a realidade? Isso é muito simples de responder: respire, inspire, abra os olhos, alimente-se e observe ambos os lados da rua antes de atravessar... a realidade é, a coisa em si não é a realidade, somos carne, ossos e sangue criados com água, terra, ar e fogo, que por sua vez foram Criados pelo Sumo Bem, em suma, a realidade é sobretudo o que somos e testemunhamos tanto nesta vida quanto na eternidade. 

sábado, 22 de dezembro de 2018

QUAL ONTOLOGIA?


Flagelo

Ontologia é uma perspectiva filosófica sobre a realidade, que tanto pode reconhecer a ideia de um princípio criador, como pode conceber uma realidade eterna sem começo e sem fim, esta última é uma ontologia de base tautológica, pois remete à causalidade infinita como ocorre na ontologia naturalista.

A ontologia naturalista pressupõe um fundamento irracional e sem sentido para a realidade, uma vez que esposa a tese de que somos submetidos a leis cegas cuja conformação foi aleatória tal como num sorteio.

Por outro lado, quando a abordagem é com base em uma ontologia que reconhece um princípio criador da realidade, podemos conceber a racionalidade inerente ao real como um dado objetivo que funda a racionalidade e a teleologia das leis que ordenam o mundo.

Vamos expor de forma resumida as três possibilidades ontológicas:

a) a relação de causa e efeito existe até as suas últimas consequências;

b) a relação de causa e efeito não existe, e as coisas se conectam com base em relações aleatórias;

c) a relação de causa efeito existe de forma limitada àquelas situações que habitualmente são percebidas pela mente humana, mas nada garante de tais relações sejam intrínsecas.

Eu particularmente adoto a primeira perspectiva, uma vez que mesmo as evidências obtidas em laboratório pressupõem que o próprio cientista acredite no julgamento sobre a validade da relação de causa e efeito, presente na experiência oriunda da capacidade inata do ser humano perceber nexos causais racionalmente, por mais que o mesmo adote a metodologia preconizada pela percepção ontológica do ceticismo moderado defendido por David Hume/Kant/Popper sintetizada na terceira opção, e muito mais sou contrário ao absoluto ceticismo exposto na segunda perspectiva.

sábado, 11 de agosto de 2018

AQUI PENSANDO SOBRE ALGUMAS COISAS!



A filosofia antiga na perspectiva da Teoria dos Quatro Discursos de Olavo de Carvalho:

Pré socráticos = linguagem poética;

Sofistas = linguagem retórica;

Sócrates e Platão = linguagem dialética;

Aristóteles = linguagem lógica e científica.

Em todos os níveis há o surgimento do problema etiológico, pois o princípio da causalidade pressupõe a existência de uma etiologia, afinal, a busca pelo conhecimento remete ao problema da origem da própria realidade.

***

Filósofos Pós-Socráticos


Sobre o conceito de vida, adote a abordagem ontológica mais plausível:

a) a vida humana começa com a concepção.

b) a vida humana começa com a formação do sisteme nervoso e o cérebro.

c) a vida humana começa com o nascimento com vida.

d) o conceito de vida humana é passível de ser determinado pela legislação.

***

Holanda “arrependida” com legalização da maconha e da prostituição


Legalização nunca garantiu nada de forma automática, uma vez que lei é um recurso social que limita voluntariamente somente pessoas moralmente sérias, liberação legal para atitudes intrinsecamente criminosas somente estimula o crime, experimente legalizar o homicídio e o roubo! O crime antes de ser uma fato antijurídico ele já é antimoral.

***

Creio que o nosso drama está na recusa em admitir a objetividade e o racionalismo inerentes à aplicação do princípio da legalidade, como único meio de realização da igualdade possível entre os homens (princípio da igualdade = princípio de legalidade = devido processo = dialética processual = justiça em cada caso concreto).

***

Minha perspectiva sobre Rousseau é divergente daquela que o considera um liberal/libertário, pois a doutrina política e contratualista por ele defendida é basicamente estatista e socialista uma vez que o contrato social é a completa renúncia da liberdade individual em favor do Estado, com o agravante de que é proposta a criação de uma religião civil para substituir o próprio cristianismo, Rousseau é o tataravô de toda doutrina de Estado Totalitário.

***

É divertido observar a retórica histérica de quem precisa de provas da existência de algo que já julga inexistente, isso é coisa de quem tem certeza da fidelidade da namorada mas precisa da prova de que não é corno?

***

Habitualmente o professorado ensina de ouvir dizer e pouco recorre às fontes primárias, basta ler o livro do Rousseau que percebemos ser ele um "socialista honesto" e não esconde nenhuma de suas intenções revolucionárias, e pensar que Kant o erige no altar da sabedoria, logo, essas éticas da razão pura ou da razão prática são meros desenvolvimentos rousseaunianos.

***

O liberalismo (materialista e ateu) pariu o marxismo (materialista e ateu), daí o marxismo pariu os movimentos fascista (materialista e ateu) e nazista (materialista e ateu), que em seguida entraram em guerra com os liberais aliados com marxistas, e hoje marxista adora chamar aquilo que odeia de "fascista" ou "neoliberal", isso já virou briga familiar.

***

Na "bíblia comunista" (O Capital) está a primeira teoria "científica" que legitima o genocídio, e a história do comunismo é a consumação apocalíptica dessa "profecia", daí os esquerdistas ainda posam com aquele falso moralismo de jumento.

***

Quem é guiado pelos princípios morais? Certamente não é a abstração institucional, mas, somente o ser humano concreto e pessoal.

Essa mania de abstrair a ordem institucional conforma máscaras para esconder a responsabilidade pessoal dos agentes concretos e seus interesses inconfessáveis.

***

Cristãos, católicos, ateus são adjetivos atribuíveis a pessoas, governos, monarquias e Estados não são pessoas, por isso considero uma tolice essa conversa de Estado laico ou de Estado católico, é o mesmo erro com o sinal trocado.

***

A regra do mundo desde suas origens é a pobreza ser o estado normal das sociedades humanas, a democratização da riqueza só com economia de mercado associada com Estado de Direito, enquanto que a economia planejada só se sustenta com o estabelecimento da mais cruel força operada por um Estado Absolutista e Terrorista, que nega os direitos e afirma o poder do crime, socialismo e comunismo são somente nomes para tornar mais fácil o abuso do poder por parte de uma elite governante assassina.

***

A cena jurídica e política que nos assombra demonstra, sobretudo, a existência de uma batalha entre vícios e virtudes sendo travada, em que se está definindo o destino do princípio da legalidade como ferramenta do Poder ou da Justiça.

***

O direito é uma técnica e uma arte, que pode ser operada em prol ou contra os valores morais, tudo se resume na filosofia moral do portador da arma.

domingo, 20 de maio de 2018

AULA DE METODOLOGIA CIENTÍFICA - LIÇÃO 01 (A essência do problema)

Vírus Ebola


Escolha entre estas duas hipóteses fundamentais:

a) Existem essências em todas as coisas, os conceitos captam e nomeiam suas características.


b) Não existem essências, o que existem são só nomes convencionais.

GABARITO:

RESPOSTA DA OPÇÃO "a)"

A essência é a forma intrínseca do objeto, seu projeto arquitetônico, sua fórmula, sua alma, o nome é sua descrição que é relatada por meio de símbolos e signos, sua essência é o seu ser ontológico, concreto, real, pré-existente.

O conceito de substância descrito por Aristóteles não descreve a matéria do objeto, a substância é a forma essencial que conforma e possibilita a existência da própria coisa, a inteligência capta alguns elementos dessa forma substancial e promove a distinção em relação a outras formas substanciais, daí são necessários os nomes.

RESPOSTA DA OPÇÃO "b)"

Considerar a inexistência de essências intrínsecas e que os nomes são meras convenções coletivas implica, necessariamente, na adoção de posturas céticas, radicais ou moderadas, que poderão julgar a realidade com base na eleição arbitrária de algum critério de medida, seja o materialismo ou o voluntarismo.

Esta postura sempre esbarrará no problema da validade do conhecimento captado pelos sentidos, e daí em diante a própria capacidade de considerar a realidade será objeto de considerações de ordem linguística, uma vez que toda descrição científica é essencialmente verbal.

Nesse sentido se instaura o que é tradicionalmente denominado de metafísica transcendental, porque imanente à mente e cujo escopo é só o descrever fenômenos restritos ao que for captável pela mente que é cética de tudo o mais, menos da própria mente.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

REFLEXÕES SOBRE A FILOSOFIA MORAL


Creio que o vocabulário "filosofia moral" deve ser resgatado para fazer o contraponto ao termo ideologizado "ética" (apesar de que originalmente "ética" é a versão grega para a latina "moral"), pois, atualmente, falar de "ética" somente remete ao comportamento politicamente correto, segundo a régua do subjetivismo materialista epicurista da modernidade em seu consenso contra o sumo bem

A moral é essencialmente um conhecimento de natureza ontológica, uma forma de participar da realidade concreta da vida e da sociedade, pois conecta-se à realidade objetiva, v.g. a interdição ao incesto quando inobservada gera consequências nefastas à própria herança genética.

A autoridade moral (no sentido de autoria mesmo) é primariamente heterônoma, por ser um mandamento de Deus, secundariamente é que se torna um objeto de julgamento decisório do livre arbítrio pessoal.

O momento da liberdade também é o momento do pecado, logo, inexistente a norma moral absolutamente autônoma, pois a moral é absoluta, o que é resta é a autonomia do erro moral, uma vez que a decisão é relativa

Moral não é uma norma no sentido jurídico-normativo, é uma revelação divina descoberta pelo intelecto humano, seja pela razão natural, como em Sócrates, seja pela razão sobrenatural revelada diretamente por Cristo.

O vício do bacharelismo jurídico é considerar que uma teoria da norma jurídica substitui a realidade concreta, portanto, é esquecer que autorreferencia do texto submete-se à autorreferencia da realidade, não o contrário

O contraponto ao excesso de abstração linguísticas, que fica preocupado com suporte físico em papel, está em chamar a atenção que o suporte físico da linguagem é ontológico, é a realidade de carne e osso, e, também, alma.

A filosofia, desde os pré socráticos até hoje, se depara com desafios teológicos e morais, ou aceitam o negam veementemente a existência de Deus.

Etimologicamente moral é ética, são termos sinônimos, todavia, hoje na cena institucional jurídico-política esqueceu-se o que é moral e o termo "ética" foi transformado numa palavra que aceita qualquer definição, inclusive pode ser a "ética dos bandidos"

Observo que em relação ao atual processo de destruição da linguagem como ferramenta de comunicação julgo indubitável que realmente existe um esforço acadêmico nesse sentido, e, também não discordo que esta demolição tenha consequências sociais, todavia percebo que a língua e a linguagem possuem uma substância, no sentido dado por Aristóteles na metafísica, em que a essência da palavra ainda resiste em função da necessidade que o senso comum de cada pessoa possui intuitivamente de reagir ao absurdo inerente aos ataques linguísticos da modernidade.

Para que seja possível a percepção da desordem do caos há que ser possível a prévia percepção da ordem do cosmos, e para que haja destruição e entropia há que haver criação e harmonia, neste sentido a filosofia moral é o amor ao saber em seu sentido de razão prática (phronesis), que possibilita o cultivo da ordem pessoal e possibilita a harmonia social.

domingo, 6 de maio de 2018

A RELAÇÃO DE CAUSALIDADE IMPLICA EM DETERMINISMO?



Se recorrermos à uma base filosófica cartesiana, que trabalha a causalidade dentro de um molde matemático-quantitativo, e por isso com um padrão de determinismo mecanicista, podemos, assim, adotar a postura kantiana que considera a necessidade da adoção do ceticismo moderado de Hume e a ética contratual de Rousseou, então, dentro destes moldes é plausível afirmar a necessidade do determinismo, até porque está bem dento do cosmos da mecânica clássica de Newton, que por sua vez é a premissa científica para a ética contemporânea a partir de Kant.

Todavia, quando analisamos relações de causalidade dentro da dimensão que considera o universo de eventos qualitativos, que são sonegados pela teoria cartesiano-newtoneama, tal como os fatores afetivos, emocionais, culturais e históricos inerentes à vida do acontecer humano e, também, o que foi descoberto com a física quântica, tais relações de causalidade tornam-se completamente diferentes daquelas que consideram somente dados mensuráveis quantitativamente, pois passa-se a ser considerada não só a extensão matemática de um fenômeno mas também a intensidade do fenômeno, que por sua vez poderá se manifestar em graus diferenciados, mesmo em circunstâncias equivalentes.

Neste sentido, quando são considerados dados desta capilaridade, tanto quantitativa quanto qualitativa, necessariamente, o mundo de possibilidades e probabilidades casuísticas se tornará quase infinito.

É neste mundo concreto em que coisas sem fim podem ocorrer, do ponto de vista da vida humana e natural, há um grau razoável de previsibilidade permeada de possibilidades imprevisíveis, que implicam na constante possibilidade de existência do exercício da vontade de escolha entre tais possibilidades, que denominamos de livre arbítrio, ou de puro indeterminismo no nível físico infinitesimal, pois este só pode existir como exercício de um liberdade de escolha do ponto de vista humano, e indeterminado na realidade física, são realidades permeadas de possibilidades cujos resultados são previsíveis dentro de padrões estatísticos que aceitam imponderáveis.

Portanto, quando se trata do tema do determinismo, devemos observar que a densidade de informações e variáveis existentes, em cada acontecimento e em cada decisão, é tão imensurável que a única possibilidade de determinismo efetivo seria sob a regência de um poder capaz de conhecer imediatamente todas as possibilidades de ação, e ser capaz de prever todas as variáveis envolvidas, logo, neste sentido, Deus sempre terá poder de previsão. Todavia, no que diz respeito ao momento volitivo de escolher uma d'entre as possibilidades em cada caso singular, este momento caberá a cada pessoa singular em sua condição de partícipe da criação, pois o conjunto de decisões ainda poderá ser objeto de ponderação estatística, mas essa média será somente probabilística, não será determinística no sentido completo da palavra.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

QUEM MANDA NAS MINHAS IDÉIAS?



Quem manda nas minhas idéias? 

Ao longo dos anos fui agraciado com algumas jóias, que passo a inventariar:

A ontologia aristotélica (com sua causa primeira que funda a verdade da realidade objetiva);

A teoria das idéias platônicas (que explica o caráter metafísico e eterno da verdade e inteligência da criação);

A teoria dos quatro discursos (que explica organicamente a relação entre poética, retórica, dialética e lógica) de Olavo de Carvalho;

A teoria do desejo mimético de René Girard (cujo mecanismo mimético criador do bode expiatório esclarece a fundação da cultura desde seu nível de criação da expressão verbal até à própria boa nova cristã, segundo uma perspectiva antropológica que justifica a necessidade do sagrado como mecanismo contentor da violência);

A teoria da causalidade vertical de Wolfgang Smith (que demonstra a existência da permanência da criação a partir das descobertas científicas da física quântica), que por sinal é um aplicação da teoria do hilemorfismo de Aristóteles (que demonstra a unidade essencial da forma e da substância de um determinado ser);

Lembro que o Estagirita também me presenteou com a teoria das quatro causas (formal, material, substancial e final), não posso esquecer da teoria tridimensional do direito do Miguel Reale (fato, valor e norma).

Daí volto ao Olavo e sua teoria do meta-capitalismo e suas extensas demonstrações sobre a natureza da economia e da sociedade utilizando-se dos fundamentos teóricos a respeito do mito e do símbolo segundo as bases de Eric Voegelin e Shelling, daí, com base em alguns outros autores (Alain Peyrefitte, Bertrand de Jouvenel, Pascal Bernardin, Richard Pipes, Jeffrey Richard Nyquist e outros que foram introduzidos pelo Olavo no abecedário nacional), e lembro dos discípulos do COF, aos quais me furto de indicar para que não vire uma listagem sem fim.

Penso que quem manda nas minhas idéias ainda sou eu, mais pelo menos sei quem anda me enviando os suprimentos e alicerces de minha cabana intelectual.

Werner Nabiça Coêlho

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS: TEMPO E ESPAÇO SÃO SUCESSIVIDADE E SIMULTANEIDADE (CAP. 06 - D)

Observações preliminares.


O Filósofo Mário Ferreira dos Santos sempre advertia no início de suas obras a respeito da importância do vocabulário, e, principalmente, de seu elemento etimológico, e, já nos idos dos anos 1960 ele alertava que utilizaria certas consoantes mudas, já em desuso na gramática da língua portuguesa oficialmente em vigor, mas muito importantes para “apontar étimos que facilitem a melhor compreensão da formação histórica do têrmo empregado”, e, em razão desta técnica de exposição, escolhi transcrever o texto em seu formato gramatical original (com exceção das tremas). Também incluí destaques e sublinhas em trechos fundamentais do texto.

***





É fundamental da filosofia pitagórico-platônica a presença do allós, do outro, como o khosmos, que é outro que o Ser Supremo. O khosmos implica heterogeneidade, implica o héteros, o outro, distinto, e o modo de ser especìficamente êste ou aquêle é o modo de ser que é outro que outro. A afirmação do Ser Supremo implica o allós, porque é, unìvocamente, êle mesmo, e em plenitude ontológica êle mesmo, e também o poder de realizar tudo quanto pode ser, o que pode vir-a-ser, os possíveis, que são outros que outros. A afirmação do Ipsum Esse, o ser si mesmo, exige o ser outro, o conjunto das coisas outras, allós.


O que é outro que outro, só pode ser tal, simultânea ou sucessivamente pois a disjunção é perfeita, como vimos, o fundamento é, pois, ontológico e não psicológico apenas, como o queria Kant. Dêste modo, o que fundamenta o espaço é a simultaneidade, como o que fundamenta o tempo é a sucessividade. Estas, ontològicamente, antecedem aquêle, e o existir outro, que é o existir heterogêneo, das coisas que não são em plenitude ontológica, implica a presença da simultaneidade e da sucessividade. E a sensibilidade do ser psicològicamente organizado não poderia ser distinta, pois não haveria sensação sem o outro que outro, porque sentir é afirmar, de certo modo, outro que outro, e essa afirmação implica a copresença da simultaneidade e da sucessão, em graus maiores ou menores.


A sensibilidade para Kant


Dêste modo, o tempo e o espaço, que para Kant são formas puras da sensibilidade, são, realmente, esquemas posteriores, que se fundamentam na simultaneidade e na sucessão, que são primordiais, não só da sensação, como do próprio existir e do ser, o que lhes dá uma razão ontológica (1). E é esta razão ontológica que empresta validez e segurança à experiência no sentido kantiano, a qual termina por desvanecer-se quanto ao seu valor, como vimos na análise que fizemos da obra daquele autor em “Filosofia Concreta” e, sobretudo, em “As três Críticas de Kant”.


A justificação da continuidade da extensão, considerada não só matemática, como fisicamente, fundamenta-se na não coincidência das partes, que se dão umas extra às outras. As coisas quantitativas são compostas de partes extra partes, mas, por serem estas tomadas extensivamente, são divisíveis em partes, pois onde há extensão há distância. Esta, enquanto tal, é homogeneamente ela mesma em sua especificidade, e, considerada matemàticamente é, portanto, divisível em partes extensas in infinitum. Todo modo de ser quantitativo é, pois, enquanto tal, divisível in infinitum, quando considerado em sua extensidade.




A extensão pode ser considerada como actual ou como virtual. É actual aquela que tem de fato partes extra partes, as quais não coincidem todas no mesmo ponto. Essa extensão pode ainda ser local e não-local. É local, quando comensurada com o lugar, como o são os corpos. É não-local, quando incomensurável com o lugar, quando é toda no todo e toda em cada uma das suas partes singulares, cuja realidade é matéria controversa. Contudo, no caso dos anti-prótons, que revelam, ao anular os prótons, que o resultado não tem extensidade apta a ser captada pelos sentidos, ampliados por instrumentos, não se pode admitir que esse resultado seja uma aniquilação total do ser, o que é ontologicamente impossível e, portanto, absurdo, como o provamos em “Filosofia Concreta”. O que resulta, a chamada anti-matéria na física moderna é anulação da extensão atual ou potencial, mas, se for a primeira, será não-local.




Energia Escura


Chamam, ainda, de extensão aptitudinal o accidente que tem partes integrantes (que são as que não constituem a essência de uma coisa, pois estas são as partes essenciais). As partes essenciais são aquelas que, faltando apenas uma, a coisa deixa de ser o que é. Constituem elas a essência do todo. Assim a animalidade e a racionalidade são partes essenciais do homem, pois faltando uma ou outra, o homem deixa de ser tal. A parte integrante, ao inverso, não constitui a essência do todo, e a ausência de uma não implica a perda da especificidade, como a falta de um braço não leva ao desaparecimento do homem. Estas partes integrantes são chamadas de homogêneas ou heterogêneas. As homogêneas são entre si semelhantes especificamente, e até acidentalmente, como as partes de um pedaço de ferro, enquanto ferro. São heterogêneas aquelas que diferem entre si accidentalmente, como o são as partes de um ser vivo.


Pergunta-se, na Cosmologia, e é um dos seus grandes problemas, qual o efeito formal da quantidade: é dar extensão entitativa à substância, ou dar extensão actual local ou não local, ou dar uma extensão aptitudinal, ou a exigência da extensão?


É mister, em primeiro lugar, saber o que se entende por efeito formal. É o que resulta da comunicação da forma com o seu sujeito. Assim o efeito formal da côr é o colorido, do calor o ser quente. Classifica-se, ainda, o efeito formal em primário e secundário. É primário o que não pode deixar de dar-se sem contradição, desde que a forma seja dada. Se se dá o calor, tem de se dar o quente; se há cogitação no intelecto, êste está em ato. Secundário é o que, exigida a forma, se faltar, não implica contradição.


(1) O existir ou o ser implicam o que existe ou é, simultânea ou sucessivamente, ou ambos, já que a disjunção é perfeita e a não aceitação seria a negação do sujeito, pois se não é nem simultânea, nem sucessivamente, nem ambos, não é, nem existe.


Referência:


Mário Ferreira dos Santos, Erros na Filosofia da Natureza, Coleção Uma Nova Consciência, Editora Matese, São Paulo, 1967, p.36-39


GLOSSÁRIO CONCEITUAL (Gerado por I.A.)

Acidente — Determinação que pertence a uma coisa sem constituir sua essência. No texto, aparece especialmente relacionado à extensão aptitudinal e às partes integrantes.

Allós — Termo grego empregado para designar “o outro”. Na exposição do autor, expressa a alteridade ontológica, isto é, aquilo que é distinto de outro ser e, especialmente, aquilo que é outro em relação ao Ser Supremo.

Alteridade — Condição de ser outro ou distinto. Constitui um dos fundamentos da multiplicidade e da heterogeneidade do cosmos.

Antimatéria — No contexto apresentado pelo autor, realidade física relacionada às antipartículas e utilizada para discutir a possibilidade de anulação da extensão material sem que isso represente uma aniquilação absoluta do ser.

Antipróton — Antipartícula correspondente ao próton. O texto utiliza a interação entre prótons e antiprótons como elemento de reflexão acerca da extensão e da impossibilidade ontológica da aniquilação absoluta.

Animalidade — Característica essencial atribuída ao ser humano enquanto animal. No exemplo do autor, juntamente com a racionalidade, constitui uma das partes essenciais da definição do homem.

Comensurável — Aquilo que pode ser relacionado ou medido segundo uma mesma medida. No texto, a extensão local é considerada comensurável com o lugar.

Cosmologia — Campo filosófico dedicado ao estudo da estrutura, constituição e princípios do cosmos. No trecho analisado, investiga-se especialmente o efeito formal da quantidade sobre a substância.

Cosmos (kósmos) — Conjunto ordenado das coisas existentes. Na filosofia apresentada, o cosmos constitui realidade distinta do Ser Supremo e caracteriza-se pela multiplicidade e heterogeneidade.

Copresença — Presença conjunta de dois elementos ou condições. O texto utiliza o termo para caracterizar a presença simultânea da simultaneidade e da sucessividade no ato sensível.

Disjunção perfeita — Separação lógica considerada exaustiva entre alternativas. No texto, aquilo que existe deve apresentar-se simultaneamente, sucessivamente ou segundo ambas as modalidades.

Distância — Separação entre partes extensas. Para o autor, onde existe extensão há distância, e onde há distância torna-se possível a divisão em partes.

Efeito formal — Resultado da comunicação de uma forma ao seu sujeito. O exemplo dado é o colorido como efeito formal da cor e o ser quente como efeito formal do calor.

Efeito formal primário — Efeito que necessariamente decorre da presença da forma, de modo que sua ausência implicaria contradição. Se há calor, por exemplo, deve haver algo quente.

Efeito formal secundário — Efeito que pode deixar de ocorrer sem que sua ausência implique contradição, mesmo estando presente a forma da qual se relaciona.

Essência — Conjunto das determinações fundamentais pelas quais uma coisa é aquilo que é. A perda de uma parte essencial faz com que o ente deixe de possuir determinada identidade específica.

Extensão — Característica do ser quantitativo segundo a qual suas partes se encontram umas fora das outras, não coincidindo integralmente no mesmo ponto.

Extensão atual — Extensão na qual existem efetivamente partes extra partes, isto é, partes que não coincidem todas no mesmo ponto.

Extensão aptitudinal — Modalidade de extensão atribuída pelo texto ao acidente que possui partes integrantes. Relaciona-se à aptidão de determinada realidade para apresentar estrutura quantitativa ou extensiva.

Extensão entitativa — Expressão utilizada para indicar uma extensão ligada ao próprio ente ou substância, apresentada como uma das alternativas no problema cosmológico acerca do efeito formal da quantidade.

Extensão local — Extensão comensurável com o lugar, como ocorre, segundo o texto, com os corpos físicos.

Extensão não local — Extensão que não é comensurável com o lugar. O autor descreve-a como estando “toda no todo e toda em cada uma das suas partes singulares”, ressalvando que sua realidade é controversa.

Extensão virtual — Modalidade contraposta à extensão atual. O documento menciona a distinção, embora o trecho reproduzido não desenvolva integralmente sua definição.

Extensidade — Condição ou propriedade pela qual algo possui extensão. O termo é empregado para indicar o caráter extenso do ser quantitativo.

Héteros — Termo grego relacionado ao “outro”, ao distinto e ao diferente. No texto, exprime a heterogeneidade constitutiva do cosmos.

Heterogêneo — Aquilo cujas partes ou elementos diferem entre si. Em relação às partes integrantes, o autor exemplifica a heterogeneidade pelas diferentes partes de um ser vivo.

Homogêneo — Aquilo cujas partes possuem semelhança específica entre si. O exemplo utilizado é o de diferentes partes de um pedaço de ferro consideradas enquanto ferro.

In infinitum — Expressão latina que significa “ao infinito” ou “indefinidamente”. No texto, refere-se à divisibilidade matemática das realidades extensas.

Ipsum Esse — Expressão latina que pode ser compreendida como “o próprio Ser” ou “o ser por si mesmo”. No texto, refere-se à plenitude ontológica do Ser Supremo, em contraposição aos demais seres.

Não localidade — Condição daquilo que não é comensurável com um lugar determinado. O autor utiliza esse conceito em sua reflexão sobre extensão e sobre os resultados da interação entre matéria e antimatéria.

Ontologia — Investigação filosófica do ser enquanto ser. No texto, vários problemas são tratados como ontológicos, em oposição a explicações exclusivamente psicológicas ou subjetivas.

Parte essencial — Elemento constitutivo da essência de uma coisa. Se uma parte essencial faltar, o ente deixa de ser aquilo que é.

Parte integrante — Parte que pertence ao todo sem constituir necessariamente sua essência. Sua ausência não implica, por si só, perda da identidade específica do ente.

Partes extra partes — Expressão que designa partes espacialmente distintas, situadas umas fora das outras e que não coincidem integralmente no mesmo ponto. É uma característica fundamental da extensão quantitativa no texto.

Plenitude ontológica — Condição do ser que possui plenamente sua realidade. No texto, é atribuída ao Ser Supremo, em contraste com os entes que não possuem essa plenitude.

Possível — Aquilo que pode vir a ser. Os possíveis são apresentados como “outros” em relação ao Ser Supremo e entre si.

Quantidade — Determinação associada à extensão, divisibilidade e composição em partes. O texto coloca como problema cosmológico a definição de seu efeito formal sobre a substância.

Racionalidade — Capacidade racional apresentada como parte essencial da definição do homem, ao lado da animalidade.

Razão ontológica — Fundamento situado no próprio ser e não apenas na estrutura psicológica ou cognitiva do sujeito. É dessa maneira que o autor interpreta a simultaneidade e a sucessividade.

Sensação — Ato sensível que, segundo o autor, pressupõe a existência de algo distinto daquele que sente. Sentir implica, assim, a afirmação de um “outro”.

Sensibilidade — Faculdade pela qual um ser psicologicamente organizado recebe ou experimenta sensações. Na discussão com Kant, o autor sustenta que sua estrutura depende ontologicamente da simultaneidade e da sucessão.

Ser Supremo — Ser apresentado como ontologicamente pleno e unívocamente idêntico a si mesmo. Sua afirmação implica, segundo o texto, a possibilidade do “outro”, isto é, dos seres distintos.

Simultaneidade — Condição segundo a qual realidades existem ou se apresentam conjuntamente. Constitui, para o autor, o fundamento ontológico do espaço.

Substância — Aquilo que subsiste como sujeito das determinações ou formas. Aparece no texto especialmente na discussão sobre qual seria o efeito formal da quantidade.

Sucessão / sucessividade — Condição segundo a qual realidades se apresentam umas após as outras. O autor a considera fundamento ontológico do tempo.

Tempo — Para Kant, forma pura da sensibilidade; para Mário Ferreira dos Santos, no trecho analisado, esquema posterior que se fundamenta ontologicamente na sucessividade.

Vir a ser — Processo pelo qual aquilo que é possível passa a adquirir determinada realidade ou atualização.