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quinta-feira, 4 de junho de 2020

A SOBERANIA DO EGOÍSMO MODERNO

Dante e Virgílio no Infernopor Bouguereau, no Museu de Orsay

Os ministros do Supremo Tribunal Federal e os deputados e senadores do Congresso Nacional têm praticado um exercício abusivo de poder, com sentenças e leis que negam a realidade da vida cotidiana e suas reais necessidades, seja por meio de decisões que ofendem os mais fundamentais direitos e garantias individuais, seja por meio de criação de leis arbitrárias e absurdas, que criam coisas análogas ao "ministério da verdade" descrito por George Orwell, em face da tentativa de legislar sobre o que é a verdade ou a falsidade dentro do ato da liberdade de expressão, criminalizando-se a opinião que desgostar os donos do poder.

O fundo histórico-filosófico, que percebo por trás destes atos que negam a realidade e o senso comum necessários ao exercício da liberdade e da responsabilidade, está na radicalização da mentalidade cartesiana que fundou a modernidade, pois quando Descartes cria uma filosofia que diz "penso logo existo" estabeleceu uma ideia força de que o pensamento é o fundamento do conhecimento humano, o erro filosófico fundamental da modernidade, pois desconectou a filosofia da realidade concreta.

Descartes confiou na percepção da mente para obter "certezas", este foi seu método, abstrair tudo o que não for quantificável, uma vez que não poderia confiar na evidência dos sentidos.

Kant aprofundou-se na análise da mente, e adotou princípios da física moderna newtoniana, para concluir que a mente é o fundamento da realidade percebida, conforme o pressuposto de um universo que já possui tempo e espaços determinados de forma absoluta postulados dentro da teoria da gravitação universal, logo, a mente por ser capaz de penetrar intelectualmente na previsibilidade mecânica do relógio do universo, poder-se-ia descobrir suas leis fixas, sejam sociais ou naturais.

Tal percepção kantiana de soberania da percepção da mente cognoscente foi desenvolvida por Fichte, que estabeleceu uma lógica dialética de raciocínios encadeados de forma solipsista, uma vez que afirmou radicalmente que o "eu" pensante era o fonte do conhecimento, esta dialética do pensamento foi erigida em razão universal da história "espiritual" por Hegel, na forma de uma evolução do espírito humano que pensa ser auto-suficiente até sua forma final na comunidade estatal.

Em seguida, ao longo do século XIX, essa corrente de pensamento cartesiano se dividiu em escolas de defensores do pensamento como igualdade absoluta (marxismo), da liberdade absoluta (liberalismo), da concorrência absoluta (darwinismo), enfocando-se e valorizando-se um atributo da personalidade humana, já que tudo poderia ser abstraído, então passou-se à radicalização das ideias em abstrato, as ideologias começaram a suprimir a própria realidade, fato que tem nos custados o preço de genocídios e hecatombes diversas desde então.

No desenvolvimento da filosofia do direito a percepção kantiana de "coisa em si", ou seja, realidade incognoscível, e de soberania da construção mental com base na física mecanicista,  foram renomeadas por Kelsen como "política do direito" e "norma hipotética fundamental", esta sendo uma pressuposição de que o ato político de criação da nova ordem constitucional teria um caráter absoluto e determinístico ao estilo kantiano, enquanto que para o estudo científico normativo do direito o aspecto político seria o dado qualitativo e incognoscível.

Mas, todas essas variações da filosofia moderna mascaram um único fenômeno, uma realidade demasiadamente humana, um problema de origem do acontecer histórico, que é a queda no pecado capital do orgulho.

É interessante notar que o STF possui em seus quadros grandes autores consagrados da teoria do direito constitucional, este é o ponto central que julgo mais importante, pois são uma prova viva de que seus estudos teóricos estão completamente divorciados de seus atos e interesses pessoais, e, uma vez que são detentores do poder da violência estatal passam a exercitar abusivamente suas atribuições, uma vez que se julgam senhores de uma nova "norma hipotética fundamental" como intérpretes supremos da ordem constitucional.

A filosofia cartesiana criou no mundo ocidental uma sucessão de grandes autores de ficção e retórica, com pretensões filosóficas, que por vezes tangenciam a verdade, mas que na prática são como autores literários, para quem o papel pode e deve aceitar qualquer coisa fruto de suas imaginações férteis.

Quando os autores literários exercem seu desejo de poder por meio de ferramentas político-institucionais, daí é factível vislumbrarmos a tentativa de inúmeras "reformas da natureza" ao estilo do sonho descrito por Monteiro Lobato, a mente cartesiana após ser enganada pelo anjo mal passou a acreditar que estaria soberanamente acima da verdade e da mentira.

sábado, 4 de maio de 2019

A REALIDADE NÃO É CARTESIANA



A REALIDADE NÃO É SOMENTE RELAÇÕES DE QUANTIDADES

Cartesius foi um bom filósofo do realismo idealista, ou da idéia como realidade, e um grande matemático, isso é inegável.

Ocorre que para uma grande mentira ser estabelecida haverá que se demonstrar algumas pequenas verdades compatíveis com a proposta falaciosa, em certo sentido a matemática, enquanto método de análise lógica das quantidades em seu aspecto abstrato, por meio de símbolos numéricos, quando utilizado habilmente para fundar uma concepção de certeza e exatidão, é um excelente meio de criar o descrédito em relação à realidade concreta e grávida de qualidades e significados que apreendemos em nosso cotidiano.

A realidade concreta é em grande parte impassível de mensuração quantitativa, pelo que o cartesianismo revela-se como uma vertente do pitagorismos empobrecido, pois divorciado da metafísica, e, é por isso uma potente arma de "desinformação", no sentido técnico da palavra no ramo da guerra de informações, uma vez que a filosofia cartesiana passou a ser a emissora da grande falsidade do ceticismo materialista e niilista, com base na credibilidade da ciência matemática.

Assim, instituiu-se uma secular crise nas ciências em geral e na filosofia em particular, por meio da ideologia materialista transvestida de filosofia, que pretende subjugar a realidade toda ao determinismo matemática e materialista que pretende deificar o pensamento humano.

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A FILOSOFIA DA CIÊNCIA MODERNA NEGA-SE A OBSERVAR A EVIDÊNCIA ORIUNDA DOS SENTIDOS


Minha tese é que a ciência e filosofia cartesianas, ditas modernas, tentam convencer-nos a não dar crédito na ciência que decorre de nossa percepção sensorial, uma vez que a evidência percebida pelos sentidos, que é o fundamento de toda conquista técnica, é o que nos fornece a capacidade de avaliar as relações de causa e efeito, e, também, quando um evento foge a tais relações, tal como se dá no evento milagroso, em que a causalidade horizontal é substituída pela causalidade vertical.

A ciência moderna, com seu viés ceticista e materialista, é um tipo de psicologismo que nos torna psicóticos e esquizofrênicos ao ponto de impedir nossa percepção normal da realidade, inclusive aquela de perceber o milagre, uma vez que a nossa existência é sustentada pelos milagres inerentes à existência criada e à presença viva de Cristo.

São Tomé foi o primeiro cientista! Mas, pelo menos, acreditou em seus sentidos.

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ACREDITO PORQUE PERCEBO


Como percebemos o mundo senão pelos sentidos corporais?! Como filosofar negando tais evidências, simples, leia os filósofos da modernidade e passe a crer no que eles dizem, não nos seus olhos.

Descartes cria uma hipótese na qual um gênio mal o levaria ao ceticismo total quanto ao que é captado pelo sentidos, cuja consequência filosófica é afirmação do pensamento abstrato e matemático como única realidade clara e precisa, daí lanço minha hipótese que a filosofia moderna é o fruto de bem sucedida tentação do tinhoso.



Há um mistério no início da filosofia moderna, descrevo meu espanto por meio de dois questionamentos:

1. Como é que Descartes consegue avaliar o que é evidente e claro, se ele é o mesmo que nega a evidência oriunda da realidade concreta?

Lembro que a proposta de ciência de Descartes é que deveremos considerar evidentes somente o que é considerado como quantidade, e que as qualidades deverão ser ignoradas por serem incertas e obscuras, isso nem é mais paradoxo, é burrice mesmo.

2. Assim sendo, prossigo, e sustento meu ceticismo quanto ao método cartesiano encarado como filosofia, ao questionar como poderemos considerar algo somente como quantidade, quando as qualidades estão lá tão evidentes quanto todo o resto?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A CERTEZA OBJETIVA ORIUNDA DA REALIDADE CONCRETA




Os sentidos podem ser eventualmente ilusórios , mas, certamente, na maior parte do tempo são exatos e precisos, ai de quem não acredita nos próprios olhos ao atravessar uma rua e fique filosofando sobre coisa em si que se aproxima a 100 Km/h.

A fé cega no criticismo subjetivista, inaugurado por Descartes e aperfeiçoado em grau máximo por Kant, Fichte e Hegel, é a condição prévia para que o marxismo seja considerado científico, é o sofisma absoluto do relativismo, não importa quantas vezes fracasse, continuará sendo considerado uma "hipótese científica".

Descartes criou o "Império da moda". 

A modernidade é a busca por novidades a qualquer custo, mesmo ao custo do bom gosto e do bom senso, e, por vezes, ao custo da própria sobrevivência da cultura ocidental.

A busca pelo conhecimento tem diversos métodos mas um único objetivo: 

A CERTEZA OBJETIVA ORIUNDA DA REALIDADE CONCRETA.

Afinal, somos seres concretos e objetivos, não podemos ser reduzidos ao pensamento, sob pena de apresentarmos sintomas esquizoides.

O discurso do método cartesiano, matematizante e materialista, quando considerado como a única forma de atender ao critério da certeza dentro de um pressuposto subjetivista, que adota o ceticismo em relação à realidade objetiva, nos encaminha para o empobrecimento da percepção da realidade, e para o reino em que somos equiparáveis a meras máquinas e julgados conforme nossas possíveis utilidades conforme o gosto arbitrário de quem dispõe de poder e/ou influência social, e, assim, bem vindos ao mundo contemporâneo e sua "modernidade", o reino da moda.

O ceticismo, que se configura na origem de qualquer criticismo, seja em suas origens clássicas, seja em sua versão moderna cartesiana, é uma forma deficiente de encarar o mundo, pois castra voluntariamente a percepção humana, ao considerar a eventual limitação do poder do conhecimento humano como um dado absoluto, não como apenas uma parte do problema da realidade.

Defendo o realismo ingênuo, ou realismo não-crítico, postulo que a realidade objetiva é o dado absoluto, diante do qual a percepção subjetiva promove os diversos graus de conhecimento relativo, e essa relatividade é oriunda de nossas limitações perceptivas meramente e demasiadamente humanas.

domingo, 4 de março de 2018

DISTINÇÃO ENTRE EMPIRISMO CLÁSSICO E MODERNO


Faço uma distinção entre o empirismo da filosofia clássica e o empirismo na filosofia moderna (cartesiana), pois quando Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Leibniz, Ortega y Gasset, Xavier Zubiri, René Girard, Olavo de Carvalho, etc., falam em realidade empírica estão pressupondo a realidade concreta do mundo, que de forma objetiva se interpõe aos sentidos e os estimula para que remetam ao processo imaginativo de tradução intuitiva que possibilita conectar o intelecto humano à realidade, isto é, o conhecimento empírico em sua forma clássica é o mesmo que dizer que "o sujeito confia em seus sentidos e em seu discernimento intelectual" diante de percepção da realidade.


O empirismo moderno resulta da bifurcação cartesiana entre mente e corpo, pois Descartes julga que os sentidos são enganosos e ilusórios, então passa a confiar cegamente no pensamento, sua fonte de certeza, ao mesmo tempo que elegeu de forma arbitrária a noção de "res extensa", ou seja, a adoção de dados restritos à realidade material mensurável matematicamente, desconsiderando-se todos os dados qualitativos não "numeráveis", isto é, criou uma forma de "materialismo" oriundo de um corte metodológico que abstrai as qualidades do objeto e se detém somente sobre suas "quantidades" passíveis de descrição matemática.

O pensamento cartesiano se apoia na sistemática abstração da realidade concreta em favor de uma realidade "material" até certo ponto, uma vez que desqualifica os dados qualitativos quando considera somente a base de dados matematizáveis, para daí algo ser julgado real do ponto de vista científico, tal postura acabou implicando num ceticismo radical muito prejudicial para o pensamento, criou-se, assim, a necessidade de uma corrente que adotasse um ceticismo mais brando.

David Hume se propõe resolver o problema, mas, para isso inicia sua perspectiva com a negação das relações de causalidade, pois a pesquisa das relações de causa e efeito acabam chegando em Deus, e propôs que a realidade existe para efeitos práticos, mas que é um mistério insondável, e tentou a partir deste ponto de partida harmonizar as "descobertas" cartesianas com as necessidades práticas da realidade civil.

Depois veio o Kant e sistematizou essa bagunça criando as hipóteses distintas de razão pura e razão prática pressupondo que tempo e espaço seriam fixos e constantes, ou seja, o empirismo cartesiano é uma proposta que se sustenta sobre a física newtoniana, enquanto que o empirismo clássico é compatível com a física quântica, por ser essencialmente experimental.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

COM DESCARTES O ESPÍRITO INCOMENSURÁVEL FOI AFASTADO EM FAVOR DO "CORPO" QUE PENSA


Descartes, em suas Meditações Metafísicas, quando se lança em sua hipótese de ceticismo radical quanto à realidade e objetividade do mundo afirma que sentiu como se “tivesse caído em águas muito profundas” uma vez que pressupunha que "que todas as coisas que vejo são falsas”, mas, socorre-se de sua própria existência corporal e sensória para afirmar que é desnecessária a existência de "Deus, ou alguma outra potência" para a produção do próprio pensamento, uma vez que o próprio sujeito é capaz de produzi-los por si mesmo, e, assim, o ceticismo radical é afastado pela constatação: "Eu então, pelo menos, não sou algo? [...] Sou de tal forma dependente do corpo e dos sentidos que não posso existir sem eles? [...] então não me persuadi de que eu não existia? Decerto não, eu existia sem dúvida” (p. 42), e prossegue em sua autoafirmação existencial: “Não há dúvida, então, de que eu sou” [...] “Eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeiro todas as vezes que a pronuncio ou que a concebo em meu espírito” (p. 42-3).

Vale ressaltar que Descartes ao questionar o que é o homem foge das sutilezas sensoriais e espirituais, pois permanece cético quanto à realidade percebida pelos sentidos, e, por considerar enganosa tal realidade que se revela complexa, prossegue seus argumentos com fundamento no reducionismo simplificador da realidade, mediante a adoção dos dados matematizáveis, e desenvolve o conceito de corpo com base no critério de estrita mensuração espacial, uma vez que compreende corpo como "tudo o que pode ser delimitado por alguma figura” (p. 45), e assim, o corpo possui os seguinte atributos:

- Ocupa um lugar;
- Preenche um espaço;
- Exclui outros corpos;
- É objeto dos sentidos;
- É móvel por força exterior.

Todavia, o corpo não possui em si a potência de mover-se, de sentir e de pensar, e por isso Descartes afirma que “espantava-me por ver que semelhantes faculdades se encontravam em certos corpos” (p. 45), pelo que define as seguintes distinções entre os atributos da alma e do corpo:

- Alimentar-se e locomover-se (corpo);
- Sentir (corpo);
- Pensar (alma).

Por um momento podemos considerar que a perspectiva cartesiana está nos remetendo para a vida da alma, que por sua vez imprime a consciência no corpo, todavia, tal perspectiva não existe para Descartes, pois, por mais que o mesmo afirme que a alma humana nada mais é que "uma coisa que pensa, ou seja, um espírito, um entendimento ou uma razão” (p. 46), o caráter espiritual se desfaz quando o raciocínio de Cartesius define que a alma e seu processo de pensamento é derivado da imaginação, estritamente oriunda de impressões sensoriais corporais, uma vez que “imaginar não é outra coisa senão contemplar a figura ou a imagem de uma coisa corporal” (p. 47), neste sentido, a própria vida do pensamento, que por sua vez constitui a vida da alma, é uma derivação de percepções sensoriais empíricas derivadas da contemplação da figura ou imagens corporais, de corpos extensos, de "res extensa".

Com Descartes o espírito foi afastado em favor do "corpo", ou melhor dizendo, o espírito, a alma e o pensamento foram considerados como meras imanências corporais, tais flatulências do pensamento desenvolveram-se a tal ponto que hoje somos ensinados sobre a "morte de Deus" e a dialética do espírito da história como corpo social em desenvolvimento, ou da matéria corporal mesmo, como se fossem verdades do pensamento, quando na verdade são meros peidos verborrágicos de corpos perdidos no ceticismo sofístico de nossos tempos reducionistas.

Referência:

DESCARTES, René. Meditações metafísicas. 2. ed. Introdução e notas Homero Santiago. Tradução Maria Ermantina Galvão. Tradução dos textos introdutórios Homero Santiago. São Paulo: Martins Fontes, 2005

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

WOLFGANG SMITH: A BIFURCAÇÃO CARTESIANA



Trata-se de uma breve resenha do primeiro capítulo de "O enigma quântico: desvendando a chave oculta", de Wolfgang Smith.

Smith constata de início a dificuldade filosófica em dar sentido às complexidades inerentes à teoria quântica, e evidencia que o principal problema são "certas premissas metafísicas falsas que têm ocupado um posição de dominância intelectual desde o tempo de René Descartes" (p. 27)

Tais premissas decorrem da "concepção cartesiana de um mundo externo feito exclusivamente das chamadas res extensae ou 'coisas extensas', as quais se supõem serem desprovidas de todos os atributos ou qualidades 'secundárias', tais como a cor, por exemplo" (p. 27), e tudo aquilo que  não for "um res extensa passa a ser um 'objeto de pensamento' ou, em outras palavras, uma coisa que não tem existência fora de uma res cogitans ou mente particular"(p. 27).

A metafísica cartesiana pressupõem o mundo independente da matéria, realidade primária que origina dados objetivos mensuráveis, enquanto que as qualidades como frutos do pensamento são sem existência real, o que resulta numa realidade secundária oriunda da subjetividade do sujeito.

A dicotomia res extensae/res cogitans promovem uma "simplificação incalculável do primeiro" (p. 28) por fornecer "um tipo de 'mundo externo' que a física matemática poderia em princípio compreender 'sem resíduo'" (p. 28).

Smith questiona então: "Como é possível, por exemplo, que a res cogitans tome ciência da res extensa? Através da percepção, sem dúvida; mas, então, o que é que nós percebemos? Ora, em tempos pré-cartesianos, pensava-se - sendo filósofo ou não - que, no ato da percepção visual, por exemplo, nós de fato 'lançamos o olhar para o mundo exterior'" (p. 28).


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Não é à toa que filosofia moderna enlouqueceu o mundo!



Descartes fundou seu pensamento na suposição falsa de que o mundo é uma coisa demoníaca.

Para tanto criou a hipótese que nega a existência de Deus, como fonte da verdade.

Em seguida confessa que necessita de um esforço de imaginação artística, de criação literária, mediante a suspensão do próprio juízo, ao dizer:

Suporei, pois, que há não um verdadeiro Deus, que é soberana fonte de verdade, mas certo gênio maligno, não menos astuto e enganador que poderoso, que empregou toda sua indústria em enganar-me

não está em meu poder alcançar o conhecimento de alguma verdade, pelo menos está em meu poder suspender meu juízo
(DESCARTES, René. Meditação Primeira. Meditação Segunda. Meditações metafísicas. 2. ed. Introdução e notas Homero Santiago. Tradução Maria Ermantina Galvão. Tradução dos textos introdutórios Homero Santiago. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 38)



Por fim, com base numa criação literária inspirada num tipo de diabo, eis que está fundada a Filosofia Moderna!

O reducionismo é o desconforto diante da complexidade da realidade.

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Em um arroubo retórico, para fundar seu idealismo mental, Descartes afirma que existem certas coisas que serão certas “esteja eu acordado ou dormindo” (p. 35).


Para confirmar sua hipótese propõe que sejam consideradas verdadeiras somente “coisas muito simples e muito gerais”, pois conterão “algo de certo e indubitável”, enquanto que coisas compostas “são mui duvidosas e incertas” (p. 35).


E assim nasce a Ciência Moderna, com o “desejo de encontrar alguma coisa constante e segura nas ciências” (p. 37), mas com um medo terrível de lidar com coisas mais complexas que uma equação matemática.

Daí seguiu-se bifurcação entre ciências naturais (leia-se: matematizáveis) e as humanidades, divisão que tentamos sanar até hoje!

(DESCARTES, René. Meditações metafísicas. 2. ed. Introdução e notas Homero Santiago. Tradução Maria Ermantina Galvão. Tradução dos textos introdutórios Homero Santiago. São Paulo: Martins Fontes, 2005)