domingo, 1 de julho de 2018
Aforismos sobre a verdade e sua identidade com a realidade
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
WOLFGANG SMITH: A TEORIA ECOLÓGICA DA PERCEPÇÃO VISUAL DE GIBSON
“Ora, ocorre que, mesmo de um ponto de vista estritamente científico, a concepção reducionista do observador acaba enfim por ser indefensável.
Tomemos o caso da percepção visual: mantendo-se de acordo com a opinião predominante, Hawking supõe que a visão se reduz a uma função do cérebro. Ele nos conta, por exemplo, que o cérebro humano ‘lê uma gama bidimensional de dados vindos da retina e cria a partir deles, a impressão de um espaço tridimensional’. Esse preceito, porém, já foi desafiado criticamente por um cientista empírico chamado James Gibson, com base em descobertas experimentais coletadas por meio do que, talvez até hoje, foi a pesquisa mais exaustiva acerca da natureza da percepção visual.
O que os experimentos de Gibson trouxeram à luz foi o fato decisivo de que a percepção não se baseia em uma imagem retiniana (como haviam quase todos presumido), e sim em informações dadas no arranjo ótico ambiente, que especifica, entre outras coisas, a estrutura tridimensional do ambiente.
Parece que nosso sistema visual não foi projetado simplesmente para receber imagens retinianas,mas para vasculhar esse arranjo ótico ambiente e extrair dele aquilo que Gibson chama de invariantes. São essas invariantes que, em verdade, são percebidas, o que significa que o percepto não é construído, e sim objetivamente real; não está meramente “dentro da mente”, mas fora dela, como a humanidade, com efeito, sempre supusera. Isso quer dizer que o que é percebido não é uma imagem visual, seja retiniana, cortical ou mental, e que a chamada terceira dimensão, em particular, não é diferente das outras duas; ela não precisa ser construída - por meio de um processo que ninguém, mesmo remotamente, jamais foi capaz de conceber - , mas, com efeito, é percebida diretamente, assim como todas as invariantes.
Embora amplamente discutido e jamais refutado, [...] as descobertas empíricas de Gibson bastam para invalidar a concepção reducionista do observador humano, sobre a qual a noção de realismo modelo-dependente se baseia.”
SMITH, Wolfgang. Ciência e mito: com uma resposta a O Grande Projeto, de Stephen Hawking. Tradução Pedro Cava. 1.ed. CEDET: Campinas, 2014, p. 226-7.
domingo, 16 de outubro de 2016
É BOM CITAR: BENTO XVI E O SUBJETIVISMO CARTESIANO
[...] "nenhum homem é uma mônada fechada em si mesma. As nossas vidas estão em profunda comunhão entre si; através de numerosas interações, estão concatenadas uma com a outra. Ninguém vive só. Ninguém se salva sozinho. Continuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, digo, faço e realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem (Spes Salvi, n. 48)" (p. 23)
[...] "vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que toma com última medida apenas o próprio eu e as suas vontades" [...] "segundo o qual tudo equivale e não existe verdade alguma, nem qualquer ponto de referência absoluto, não gera a verdadeira liberdade, mas instabilidade, desorientação, conformismo às modas do momento" [...] "ameaça ofuscar a verdade imutável a respeito da natureza do homem, do seu destino e do seu bem derradeiro" (p. 24)
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| Frederick William Faber |
"Um homem cuja medida da sua existência é a técnica, é um homem condenado os limites da sua técnica; condenado aos seus limites, condenado a si próprio. E com não é natural que encontre toda a sua satisfação em si mesmo, este homem está condenado à sua insatisfação; e, finalmente, à solidão, à angústia e também ao desespero. Porque a liberdade e a dignidade humana não são bens que se possam viver pela metade. Ou tudo ou nada! É impossível ao homem construir sua vida com dignidade e, ao mesmo tempo, mantê-la em liberdade sob o relativismo, que reduz o homem à total dependência de si próprio, ou seja, à escravidão de si próprio." (loc.cit.)
FABER, Frederick William. O Purgatório. Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo - Campinas, SP : Eclesiae, 2013.



