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domingo, 5 de fevereiro de 2017

O ANACRONISMO ESSENCIAL DA HISTÓRIA PRESENTE DO BRASIL

Gerontocracia brasileira.
 
O anacronismo essencial da história está na permanente diferença de vitalidade, interesses e anseios, que condicionam o convívio entre os jovens, os adultos e os idosos, em outras palavras, a história, entre outros fatores, é movida pelo conflito de gerações no âmbito de um povo.

O Brasil, neste exato momento, vive intesamente esta experiência histórica!

José Ortega y Gasset (1) descreve o dinamismo do acontecer temporal, com base na percepção de que um povo existe em três tempos, presentes e simultâneos, representados por três gerações, que são cronologicamente contemporâneas, mas não são coetâneas, isto é, são compostas por pessoas de gerações diferentes, portadores de energias vitais distintas.

Um povo, segundo esta ótica filosófica, é movido, desde dentro, em sua história, pela diferença de coetaneidade entre gerações, são contemporâneas somente no tempo, mas no modo de viver há três presentes distintos em luta, um cheio de promessas futuras, outro vivendo um presente, que se manifesta na forma de futuro que emerge com urgência, e, por fim, um presente próximo a um futuro que se finda, e, que se aproxima cada vez mais de se tornar um passado consolidado, dada a aproximação da eternidade.

Quem hoje tem entre 35 e 45 anos de idade presenciou, por meio da cobertura da imprensa, desde o início dos anos 1990, uma sucessão contínua de escândalos e desastres políticos e sociais.

Confesso que, com base nesta experiência histórica, desenvolvi por volta dos anos 2010-2013, uma vaga impressão de que a história do Brasil havia estacionado,  estagnado, tornado-se estática, com base num aparente triunfo petista sobre todas as instituições pátrias (até os programas humorísticos, e a sátira política haviam perdido a graça, o senso de humor estava anestesiado), e o vocabulário jornalístico já reportava termos políticos perigosos que começavam a entrar no vocabulário corrente por volta de 2013/2014, tais como "Governo Central" e "Constituinte Exclusiva para Reforma Política".

Há um velho recurso da narrativa histórica, na qual grandes mudanças são precedidas de desastres naturais, e, neste caso, tivemos um período atípico de seca, e a consequente crise hídrica (2), que, em grande parte, foi fruto da imprevidência e corrupção estatal brasileira.

Vieram os protestos de Junho de 2013, e, além dos eventos aleatórios de ordem social e climática, houve, finalmente, a emergência de nosso anacronismo histórico essencial, por meio de uma evidente luta entre gerações, e, entre tantos exemplos de campos de batalhas, o mais destacado de todos foi a Operação Lava Jato.

Observe-se o exemplo do Juiz Sérgio Fernando Moro, cujo início de carreira judicante ocorreu em 1996 (3), quando ainda poderia ser classificado na geração dos jovens, e, hoje, já pode ser considerado um homem maduro, na faixa dos 40 anos de idade, e, tal como este magistrado, há uma geração de brasileiros, que ocupam postos e funções, públicas e privadas, que vivenciam um conflito de gerações com a gerontocracia, que se encontra encastelada no poder, afinal, é fácil perceber que, as figuras dominantes da política nacional, se encontram na faixa dos 60/70 anos de idade ou mais.


Gerontocracia cubana
A crise entre gerações é um dado presente, uma luta social entre velhos senhores decrépitos da política nacional de um lado, e, de outro, a geração que atingiu a maturidade necessária para assumir as rédeas do governo, da lei, dos negócios e da história brasileira.

A tensão da luta entre gerações permanecerá um importante fator da nossa história, uma vez que a expectativa de vida da elite anciã (e o Hospital Sírio-Libanês de São Paulo) a habilita a resistir, em seu anacronismo, por muito tempo ainda.


(1) ORTEGA Y GASSET, José. Que é filosofia? : obras inéditas . 1ed.. Rio de Janeiro: Ed. Livro Ibero-Americano Ltda, 1961, p. 27.

(2)http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI216277,101048-A+crise+hidrica+brasileira+e+a+falta+de+planejamento

(3) Currículo Juiz Sergio Fernando Moro: http://lattes.cnpq.br/9501542333009468