terça-feira, 13 de novembro de 2018

O ESTADO NÃO É LAICO



Nessa discussão a respeito do "Estado Laico" é necessário realçar que a ordem laica da sociedade cristã, em seu sentido de tradição católica, é distinta da ordem clerical somente no que tange à adoção do sacramento do casamento, ou do sacramento da vida sacerdotal.

Ora, ambas as ordens laica e sacerdotal são integradas na mesma vida religiosa, e, assim, pode-se afirmar que um "Estado Laico" seria tão religioso quanto um "Estado Clerical" na medida em que ambas as realidades são aspectos sociais unitários do ponto de vista da religião, ou seja, ambas são formas de seguir a vida no cristianismo, seja com a adoção da relação monogâmica e fértil do casamento, seja com a vida celibatária e dedicada ao serviço do sacerdócio.

A expressão "Estado" não deveria ser acompanhada de adjetivos como "clerical" ou "laico", o mais adequado seria reconhecer que um determinado governo possa impor uma religião oficial, ou, como em nosso caso, não haver nenhuma imposição e haver o reconhecimento da liberdade religiosa, a expressão "Estado Laico" é uma atribuição indevida de personalização espiritual à uma existência burocrática, uma vez que a expressão "Estado" não diz respeito a uma pessoa natural, portadora de uma alma imortal, que possa exercer alguma fé religiosa, tendo-se em vista que uma pessoa jurídica é somente uma ficção jurídica, que serve para operacionalizar certos propósitos institucionais.

A academia e muitos juristas adotam a religião do positivismo ateísta, pois passando por Rousseau, Hegel e culminando no marxismo em todas suas variações posteriores, o Estado é deificado como a materialização do "Espírito da História", esta deusa sanguinária.

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